A ministra Matilde Ribeiro, da Igualdade Racial, pediu demissão nesta sexta-feira assumindo o erro pelo uso irregular do cartão corporativo da Presidência. Ela responsabilizou sua assessoria por tê-la orientado de forma incorreta.
"Assumo o erro administrativo pelo uso do cartão do governo federal", disse a ministra a jornalistas.
"Fui orientada pela minha assessoria", disse ela, ao informar que a pasta lhe indicou que usasse o cartão para hospedagem, alimentação e locação de veículos.
Entre as irregularidades apontadas, a principal é a de que ela teria gasto mais de 100 mil reais na locação de carros em apenas um ano utilizando-se sempre da mesma locadora.
O caso está sendo analisado pela Controladoria Geral da União (CGU) e pela Comissão de Ética Pública. A orientação da CGU, no entanto, é de que a ministra deveria ter realizado uma licitação para a escolha da locadora, em função da frequência do uso.
A ministra justificou o uso frequente do cartão em função da necessidade de viagens e por não haver uma estrutura descentralizada de seu ministério nos Estados. "Os fatos que levaram a essa escolha partiram das dificuldades com deslocamento e hospedagem fora de Brasília."
Afirmou ainda que o erro administrativo "pode e deve ser corrigido", acrescentando que sua vida pessoal sempre foi pautada pela honestidade e responsabilidade.
"Diante dos fatos ainda em avaliação, mas sabedora da implicação administrativa, solicito meu desligamento deste governo", afirmou.
Fragilizada no Planalto a partir da divulgação das irregularidades, Matilde conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes da entrevista.
No total, a ministra gastou 171,5 mil reais em 2007 com o cartão. Até sua demissão nesta tarde, a ministra não havia se manifestado sobre os gastos. Divulgou apenas uma nota em que informava que se colocava à disposição dos órgãos governamentais para prestar explicações.
As denúncias de uso indevido do cartão, que atingiram também o ministro Altemir Gregolim (Pesca) e Orlando Silva (Esporte), levaram o governo a divulgar na quinta-feira regras limitando sua utilização. Saques em dinheiro foram restringidos.
NA PASTA DESDE 2003
Matilde Ribeiro, que está na equipe do presidente Lula desde 2003 quando a pasta da Igualdade Racial foi criada, nasceu em Flórida Paulista (SP) em 1960 e é assistente social com mestrado em Psicologia Social na PUC-SP.
O texto de sua biografia disponível no site da Presidência da República informa que ela foi "operária, recepcionista, auxiliar administrativa e assistente social".
Militou em movimentos de mulheres e de negros e no PT. Trabalhou em ONGs e nas prefeituras de Osasco, São Paulo e Santo André, além do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e no Centro de Estudos sobre Trabalho e Desigualdades.
(Reportagem de Carmen Munari; Edição de Mair Pena Neto) Fonte: Reuters
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